Como Empresas podem Participar no MVC-Portugal

Como Empresas podem Participar no MVC-Portugal

Para Empresas: Como Participar do Mercado Voluntário de Carbono e Gerar Valor.

O mercado voluntário de carbono (MVC) tem vindo a ganhar destaque como uma ferramenta estratégica para empresas que pretendem neutralizar as suas emissões de gases com efeito de estufa (GEE) e reforçar o seu compromisso com a sustentabilidade. Nos próximos cinco anos, a Comunidade Europeia intensificará a regulamentação climática, com destaque para o aumento progressivo do preço dos certificados de emissão no mercado europeu de carbono (EU ETS). A implementação do Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM) a partir de 2026 obriga importadores a adquirirem certificados equivalentes às emissões de produtos externos. Paralelamente, espera-se a expansão do escopo do EU ETS a setores como transporte e edifícios, enquanto novas taxas carbono serão introduzidas para financiar a transição energética e reforçar os objetivos do Green Deal europeu.

Ao contrário dos mercados regulamentados, no MVC a participação é voluntária, permitindo que empresas, instituições e até particulares compensem as suas emissões através da compra de créditos de carbono provenientes de projetos ambientais comprovados. Este artigo explora como as empresas podem participar neste mercado, tanto do lado da oferta como da procura, e os benefícios que daí podem advir.

Lado da Procura: Compensação de Emissões

Do ponto de vista da procura, as empresas adquirem créditos de carbono para compensar as emissões que não conseguem reduzir diretamente. Cada crédito corresponde à remoção ou evitamento de uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. Estes créditos são gerados por projetos como reflorestação, energias renováveis, captura e sequestro de dióxido de carbono (CO₂), metano e outros gases do efeito estufa ou conservação de ecossistemas.

Empresas portuguesas, como uma empresa têxtil em Guimarães ou logística/Transporte em Lisboa, por exemplo, podem calcular a sua pegada de carbono anual e, após esforços para reduzir as emissões internamente, comprar créditos para compensar o restante. Esta abordagem permite-lhes cumprir metas de sustentabilidade voluntárias, alinhar-se com compromissos como o Acordo de Paris e reforçar a sua imagem corporativa junto de consumidores e investidores cada vez mais conscientes ambientalmente.

Lado da Oferta: Geração de Créditos

No lado da oferta, empresas ou entidades que desenvolvem projetos com impacto positivo no ambiente podem obter credenciais verificadas e comercializar os créditos resultantes. Um exemplo hipotético seria uma cooperativa agrícola no Alentejo que implementa práticas de agricultura regenerativa aumentando a capacidade do solo de armazenar carbono ou reflorestação capturado CO₂ e sequestrando via biocarvão. Após verificação por uma entidade credenciada, essa cooperativa ou agricultores florestais pode gerar créditos de carbono e vendê-los no mercado voluntário.

Outro exemplo realista seria uma empresa energética que instala painéis solares em zonas rurais de Portugal. Ao evitar a emissão de CO₂ associada à produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis, pode quantificar essa redução e transformá-la em créditos negociáveis.

Benefícios Estratégicos para as Empresas

Participar no mercado voluntário de carbono oferece múltiplos benefícios. Em primeiro lugar, melhora a imagem corporativa, demonstrando um compromisso concreto com a responsabilidade ambiental. Isso é particularmente relevante para empresas que atuam em setores intensivos em carbono, onde a pressão pública e regulatória é crescente.

O valor médio dos créditos de carbono na UE tem oscilado entre 80-100 euros por tonelada de CO₂ equivalente em 2024-2025, dependendo do mercado (voluntário ou regulado). Este preço compete diretamente com as taxas regulatórias: o mercado europeu de carbono (EU ETS) já alcança valores similares, enquanto o mecanismo de ajustamento fronteiriço ao carbono (CBAM) impõe custos equivalentes às importações. Para empresas geradoras de CO₂, estas taxas representam um custo operacional crescente, incentivando a transição para tecnologias limpas. A comparação torna-se estratégica: compensar emissões via créditos pode ser mais vantajoso que suportar taxas regulatórias em setores não abrangidos pelo EU ETS.

Finalmente, o MVL permite o cumprimento de metas de sustentabilidade voluntárias, como as definidas no âmbito da estratégia europeia “Green Deal” ou nos compromissos de neutralidade carbónica até 2050. Além disso, envolve as empresas em práticas de inovação verde, estimulando o desenvolvimento de novas tecnologias e modelos de negócio sustentáveis.

O mercado voluntário de carbono (MVL) representa uma oportunidade para as empresas em Portugal não só cumprirem objetivos ambientais, mas também criarem valor económico e reputacional. Seja como compradoras ou como promotoras de projetos, as empresas podem contribuir ativamente para a transição ecológica, ao mesmo tempo que reforçam a sua posição competitiva num mercado cada vez mais orientado para a sustentabilidade. Até 2025, espera-se que este mercado tenha amadurecido significativamente, oferecendo oportunidades ainda mais robustas e transparentes para todos os agentes económicos envolvidos.

Para saber mais sobre os mercados de carbono, registe-se aqui, gratuitamente, no nosso webinar, dia 10 de Setembro.

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