Fontes de Energia Renovável em Portugal: Hidrogénio Verde, Geotérmica e Biomassa
Portugal tem assumido um papel de destaque na transição energética europeia, comprometendo-se com metas ambiciosas de descarbonização e independência energética. Entre as diversas fontes renováveis em expansão, o hidrogénio verde, a energia geotérmica e a biomassa emergem como pilares estratégicos para um futuro mais sustentável, apoiados por iniciativas governamentais e investimentos privados.
Hidrogénio Verde: A Promessa da Energia Limpa do Futuro
O hidrogénio verde, produzido através da eletrólise da água utilizando eletricidade proveniente de fontes renováveis, representa uma das soluções mais promissoras para setores de difícil descarbonização, como a indústria pesada, o transporte pesado e a armazenagem de energia. Portugal, com a sua elevada capacidade de produção solar e eólica, está especialmente bem posicionado para se tornar um produtor competitivo desta fonte energética.
O Plano Nacional para o Hidrogénio (PNH₂), lançado em 2023, estabelece um roteiro até 2030 com objetivos concretos: instalar 2 GW de capacidade de eletrólise, produzir 100 mil toneladas de hidrogénio verde anuais e captar mais de 3,5 mil milhões de euros em investimento. Projetos emblemáticos já estão em curso, como a parceria entre a Galp e a Siemens Energy para o desenvolvimento de uma unidade de eletrólise no complexo de Sines, ou a iniciativa “H2Sines”, uma candidatura aprovada no âmbito do Mecanismo Interligar a Europa (CEF), com apoio europeu de 31 milhões de euros.
Além disso, Portugal integra o European Hydrogen Backbone e participa ativamente no IPCEI Hy2Use, um consórcio europeu que visa impulsionar cadeias de valor industriais do hidrogénio. Empresas como a EDP, Galp e REN estão a alavancar esta oportunidade, com ensaios de mistura de hidrogénio nas redes de gás natural e estudos para exportação para a Europa Central.
Geotérmica e Biomassa: Explorando Outras Fontes de Energia Renovável em Portugal
Embora menos visíveis que a energia solar ou eólica, a energia geotérmica e a biomassa desempenham um papel crucial na estabilidade da matriz energética portuguesa, especialmente em regiões com potencial geológico e florestal específico.
Nos Açores, a geotermia já abastece cerca de 25% do consumo elétrico da região, com centrais em São Miguel, como as de Pico Vermelho e Ribeira Grande, operadas pela Electrónica dos Açores. No continente, o potencial geotérmico de baixa entalpia (para aquecimento e arrefecimento) é promissor, sobretudo no Alentejo e na região Centro. O projeto GeoBioTec, apoiado pela FCT e pela União Europeia, investiga aplicações geotérmicas em edifícios públicos, enquanto o Fundo Ambiental e o Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) têm financiado estudos de viabilidade e instalações-piloto.
Quanto à biomassa, Portugal dispõe de vastos recursos florestais, resíduos de eucalipto, pinheiro e cortiça, que podem ser convertidos em energia térmica, elétrica ou biocombustíveis. A Central Termoelétrica de Mortágua, por exemplo, utiliza biomassa florestal residual para produzir eletricidade para cerca de 170 mil pessoas. O Programa Nacional para o Aproveitamento da Biomassa (PNAB) e o Plano de Ação para a Economia Circular incentivam a valorização energética de resíduos florestais e agrícolas, alinhando-se com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu.
O Fundo Florestal Permanente e o PRR, Plano de Recuperação e Resiliência incluem medidas de apoio à criação de cadeias locais de valor na biomassa, com incentivos para microcentrais de biomassa comunitárias, digestão anaeróbia de resíduos agroindustriais e produção de biocombustíveis avançados. Além disso, empresas como a The Navigator Company e a Altri estão a investir em biorrefinarias integradas, transformando resíduos de pasta de papel em bioenergia e produtos químicos verdes.
Estratégias Governamentais e Privadas para um Futuro Mais Sustentável
A aposta nestas fontes é reforçada por um conjunto de instrumentos de política pública. O Plano Nacional de Energia e Clima 2030 (PNEC 2030) prevê que 47% do consumo final bruto de energia provenha de renováveis, com contribuições significativas do hidrogénio, biomassa e geotermia. O Mecanismo de Ajuste do Carbono nas Fronteiras (CBAM) da UE também incentiva indústrias portuguesas a adotarem tecnologias limpas, como o hidrogénio verde, para manter a competitividade.
Parcerias público-privadas são fundamentais. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA), a DGEG e a ADENE promovem concursos regulares de incentivos, enquanto o Portugal 2030 e os Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI) continuam a apoiar projetos inovadores.
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