Créditos de Carbono: Como São Gerados e Verificados em Projetos Sustentáveis?
a. Abordagem: Do plantio florestal à energia limpa – O caminho dos créditos de carbono
Os créditos de carbono são unidades que representam uma tonelada de dióxido de carbono (CO₂) evitada, captura antes de chegar ou removida da atmosfera através de projetos desenvolvidos, expressado em tCO2e. Estes projetos podem ser propostos e desenvolvido por qualquer empresa devidamente registrada em Portugal e suas agências regulatórias. A sua criação baseia-se em iniciativas concretas que contribuem para a descarbonização ou captura, uso, sequestro imobilização de CO2 antes ou depois de chegar a atmosfera, da economia, como o sequestro de carbono em florestas, a implementação de tecnologias de energia renovável, captura e utilização ou sequestro do CO2 oriundo de processos industriais ou ainda a promoção de eficiência energética.
Um projeto apto a gerar créditos de carbono deve cumprir três condições essenciais:
- Medição: É necessário quantificar com rigor as emissões evitadas ou o carbono capturado, recorrendo a metodologias científicas reconhecidas. Existem empresas certificadas que fazem isso.
Por exemplo, através de pesquisas científicas já realizadas, se sabe quantas tCO2e uma floresta de Eucaliptos com uma densidade de plantio de cerca de 1 500 a 2 000 árvores/ha (número médio inicial) sequestra a cada ano de sua vida. Cada hectare de Eucalyptus globulus (espécie mais cultivada em Portugal) pode sequestrar entre 6 a 12 toneladas de CO₂e por ano, durante o seu ciclo de crescimento entre 8-12 de vida. Assim se um projeto é desenvolvido para 100 hectares de plantio, a medição é um cálculo de 100 X 6-12 = 600 à 1200 tCO2e/ano. Após 12 anos, o eucalipto entra numa nova fase de desenvolvimento, com uma captura menor por ano, mas ainda sim conhecida. Se o eucalipto for cortado para a produção de papel, o CO2 sequestrado no seu tronco, folhas, galhos e tocos, entra numa cadeia que tem suas próprias regras e formas de medição e verificação.
- Adicionalidade: Este é um princípio fundamental. Implica que a redução de emissões só ocorre porque o projeto existe. Ou seja, sem o investimento nesse projeto específico, a redução não teria lugar.
- Verificação independente: Para garantir a credibilidade do crédito, os resultados têm de ser auditados por entidades independentes e certificadas, que confirmam a conformidade com os padrões exigidos. Não pode haver qualquer tipo de ligação empresarial que não seja as previstas nas atividade de verificação e medição, entre a empresa promotora do projeto e as empresas de verificação e medição.
Assim, um crédito de carbono só é válido se for verificável, mensurável, adicional e único, evitando a dupla contagem, a especulação ou fraudes.
b. Foco em Portugal: Inovação no mercado de carbono nacional
Em 2025, Portugal deu mais um passo significativo na construção de um mercado de carbono robusto e transparente ao lançar a primeira metodologia nacional dedicada especificamente ao sequestro de carbono em novas florestações. Esta metodologia foi submetida a consulta pública durante o ano, representando um marco importante para o desenvolvimento de projetos florestais com impacto climático mensurável.
A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) desempenhou um papel central na elaboração e supervisão técnica desta iniciativa, trabalhando em estreita colaboração com especialistas e stakeholders do setor. Paralelamente, a Comissão Técnica de Acompanhamento (CTA) teve responsabilidade na análise crítica e validação das metodologias propostas, assegurando que estas respeitem critérios científicos rigorosos e promovam objetivos reais de mitigação das alterações climáticas. Assim, Portugal hoje tem uma sólida e robusta legislação para o setor de créditos de carbono, que sem dúvida será aperfeiçoada nos anos seguintes.
Este esforço institucional reflete o compromisso de Portugal em alinhar políticas ambientais com instrumentos económicos inovadores, permitindo que projetos sustentáveis obtenham reconhecimento financeiro pelo seu valor climático, criando, assim, incentivos para a transição verde.
Para saber mais sobre mercados de carbono, registe-se aqui, gratuitamente, no nosso webinar, dia 10 de Setembro.

